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... pela afirmação dos direitos das pessoas com deficiência em geral e a auditiva em particular, pela melhoria das condições sociais desta população com vista à debelação dos fatores de exclusão a que estão expostos. Estatutos

Associação de Surdos de Évora

... na valorização da comunidade surda!

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Semana Internacional dos Surdos: o direito a uma Língua Gestual.

A Semana Internacional dos Surdos foi celebrada na semana que agora finda, um pouco por todo o mundo, pelas comunidades surdas e por todos aqueles que se quiseram juntar a esta efeméride. Este ano, os temas destacados foram os direitos de acesso à Língua Gestual por parte das crianças, dos surdos seniores, das mulheres surdas, dos cidadãos surdocegos, dos surdos LGBTIQA+ e também dos refugiados surdos.

De acordo com a Federação Mundial dos Surdos, há mais de 70 milhões de surdos em todo o mundo. Coletivamente, usam mais de 300 línguas gestuais diferentes. Existe uma língua gestual internacional, que é utilizada por surdos em reuniões internacionais e informalmente quando viajam e convivem nesses contextos.

 

No âmbito desta celebração, podemos destacar o dia Internacional das Línguas Gestuais que se assinalou uma vez mais no passado dia 23 de setembro, data em que a Federação Mundial dos Surdos foi criada, no ano de 1951. A Assembleia Geral da ONU proclamou este dia como forma de sensibilizar a comunidade internacional para a importância da língua gestual na plena realização dos direitos humanos das pessoas surdas.

 

A resolução que estabelece este dia reconhece que o acesso precoce à língua gestual e aos serviços em língua gestual, incluindo a educação de qualidade disponível em língua gestual, é vital para o crescimento e desenvolvimento da pessoa surda, sendo significativo para a consecução dos objetivos de desenvolvimento acordados internacionalmente. Reconhece a importância de preservar as línguas gestuais como parte da diversidade linguística e cultural. Enfatiza o lema "nada sobre nós sem nós" na intervenção junto das comunidades surdas.

 

Aproveitemos então o momento que aqui se assinala para recordarmos que, ao contrário do que erradamente ainda se ouve e lê, a Língua Gestual Portuguesa é uma LÍNGUA e não uma linguagem: é a língua materna de uma comunidade. Uma língua natural, que surge e se desenvolve naturalmente, tal como as línguas orais. Tem um vocabulário e uma gramática próprios. Cada país tem a sua Língua Gestual, que decorre da história e cultura próprias da comunidade surda desse país.

Continuamos também a ouvir, um pouco por toda a parte, chamar-se surdo-mudo a uma pessoa surda. Esta expressão errada era utilizada no tempo da doutrina do Oralismo, quando os surdos eram forçados a emitir sons, como que falando, sendo proibidos e castigados severamente se ousassem comunicar na sua língua natural, a Língua Gestual.

Estamos, assim, sem nos darmos conta a perpetuar um termo que traz à memória da comunidade surda mundial, momentos muito tristes, de perseguição e repressão, para além de estarmos a incorrer numa flagrante imprecisão pois, na verdade, uma pessoa surda apresenta uma perda auditiva, mas tem cordas vocais. Não existe relação entre surdez e mudez. Os surdos NÃO são mudos.

Em Portugal, segundo os números mais recentes da Pordata, haverá cerca de 85.000 pessoas surdas. É tempo, portanto de fazermos alguma justiça a estes cidadãos e deixarmos definitivamente para trás estes e outros mitos e inverdades.

Ricardo Niza

Psicólogo

Associação de Surdos de Évora

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